Após o período de Pesquisa sobre as lendas
e um pouco da história do Rio Grande do Sul junto ao pesquisador Manoelito
Savaris, iniciou-se o processo de criação da Dramaturgia do espetáculo.
Essa etapa foi coordenada pelo Jonas Piccoli com base nas entrevistas, livros e
coleta dos materiais.
Optou-se por utilizar algumas das lendas a
fim de filtrar o material, uma vez que há bastante lendas e causos gaúchos. A
seleção tem como característica a relevância na história e no imaginário do
gaúcho, como a lenda do Negrinho do Pastoreio, que é a mais conhecida pela
população, e que tem sua origem mais enraizada na história do Rio Grande do Sul,
e outras como o surgimento da Erva Mate e o causo do Mate do João Cardoso (que
nunca ficava pronto), e lenda do Boitatá, que não é exclusiva do RS, mas que
tem grande proximidade com o povo, especialmente os pampeanos. E para a costura
da dramaturgia, trabalhou-se com a lenda da casa do índio Mbororé.
No andamento da pesquisa entendeu-se que as
lendas têm surgimentos em diferentes períodos da história do estado, o que
denota a ideia de que o espetáculo não poderia manter-se contado em um único
período. Para trabalhar com a história real e ao mesmo tempo a mística das
lendas em seus diferentes períodos, a figura mais forte para a teatralização
dos personagens acabou fixando-se nos Mascates, que eram os vendedores que
percorriam cidades e fazendas apresentando suas mercadorias, e ao mesmo tempo
sendo fonte de notícias de terras distantes, contando os causos que
presenciaram no caminho ou mesmo ouviram no diz-que-diz, ora aumentando um
ponto ora dando a sua versão dos fatos.
Assim como a história do Rio Grande do Sul
é pautada pelo gado e como bons povos cavalariços, não seria verossímil contar
a história sem ter presente a figura do cavalo. Então como figura no palco,
além dos mascates, a presença do cavalo pareceu fundamental para a ambientação.
A dramaturgia apresentada pelo Jonas
aponta como necessários 3 pessoas para dar conta da encenação. Optou-se então
por fixar a cena nestes três personagens, e transformar o cavalo num quarto
elemento vivo, e com isso abordar as diferentes personalidades mais caricatas
no povo gaudério. No espetáculo há um personagem valente, que por vezes é bem
medroso, o falador e contador de histórias e o ingênuo que acredita em todas as
falácias. Com base nessas personalidades seria possível criar uma atmosfera
divertida ao espetáculo e ao mesmo tempo passar as informações das lendas e
causos.
Dada a dramaturgia base criada foi
convocada reunião com a CASF para leitura dramática. Neste encontro compareceu
a Cristiane Ribas, que acompanhou o andamento do processo de criação. Partiu-se
então para os ensaios e criações das movimentações cênicas, definição de
elementos e indumentária para alinhar todos os detalhes.
Em meio ao processo de trabalho o grupo
começou a questionar-se o fato de que os mascates em geral eram homens, mas que
as mulheres tem grande relevância na comunidade gaúcha. E a fim de utilizar a
experiência da atriz do Grupo Ueba (Aline), optou-se por incluir mais uma lenda
no espetáculo, a Salamandra do Jaraú, que trata de uma mulher que se transforma
em lagartixa (ou visse e versa), e com isso o grupo contam o causo de uma
mulher que se passava por homem para fugir dos perigos de estar sozinha no
campo. Dando um tom de feminino a narrativa, mostrando a força da mulher, sem
perder o que conta a lenda.
Os ensaios iniciaram em meados do mês de
março, e foram em média dois encontros por semana durante 2 meses, e na reta
final, em julho os encontros eram praticamente diários, contemplando produção
de adereços, provas de figurinos, botas, chapéus, indumentária, adequação de
bonecos, busca por materiais alternativos, como porongos, galhos de erva mate,
pelegos, transformação de objetos, etc. Ensaios e criação de músicas, marcações
cênicas, etc.
Em maio e junho também se iniciou o
processo de agendamento com as escolas, aonde contou com a ajuda da SMED e da
4ª CRE, para que pudéssemos encontrar lugares descentralizados, como os
distritos de Galópolis e Forqueta, e escolas que tivessem espaço adequado e
interesse em receber a atividade, dando valor para a mesma.
Com todo o material pronto no início de
Julho, a peça foi ficando apenas com ajustes a serem feitas até a data da
estreia. E assim percorreu as escolas e começaram os primeiros feedbacks,
sempre muito elogiosos ao trabalho e a o fato de abordar os assuntos das lendas
e do Rio Grande do Sul. Com as apresentações os artistas foram adaptando tempos
e ajustes, a fim de afinar a obra. E as vivências começaram a indicar que o
espetáculo seria um sucesso junto as crianças, jovens e adultos. Muitas escolas
começaram a entrar em contato por indicação de professores e educadores que
tomavam conhecimento do trabalho.
Terminado o período de apresentações em
circulação o grupo iniciou o trabalho de produção para as apresentações
públicas do espetáculo. A ideia inicial era realizar na Casa de Cultura, porém
pela cobrança de Taxas não previstas no projeto, o grupo buscou alternativas e
chegou ao Centro de Cultura Ordovás, que recebeu o projeto isentando as taxas.
Desta forma, e com a aprovação da CASF, o espetáculo foi agendado para a Sala
Valentin Lazzarotto para o dia 29 de setembro, final do mês dedicado as
comemorações tradicionalistas aos gaúchos. O Grupo realizou por conta própria
um ensaio fotográfico temático para usar nas divulgações, e com isso conseguiu
criar um material gráfico bastante interessante, e aproveitou a oportunidade
para gravar um vídeo de convite, o qual foi utilizado em redes sociais,
whatsapp e numa parceria muito bacana foi ao ar gratuitamente pela RBS TV nos
seus intervalos comerciais e na agenda do JA.
Com a divulgação intensa o resultado não
seria diferente. A casa esteve lotada nas duas sessões do espetáculo, recebendo
capacidade máxima no primeiro horário e extrapolando a capacidade na segunda
sessão, aonde o público acomodou-se no chão e outros ficaram de pé, para poder
prestigiar o espetáculo Fábulas do Sul. Neste dia o doutorando em teatro pela
UFSC Márcio Silveira esteve presente e escreveu um artigo sobre a obra. Este
artigo está anexado neste prestação de contas.
O espetáculo foi assistido por cerca de 3
mil pessoas em suas 12 apresentações realizadas via Financiarte. Este número se
mostra bastante positivo em relação a meta. O grupo percebeu que algumas
escolas na hora do agendamento informava que teria um número superior de alunos
do que o que realmente preencheram nas declarações, o que não possibilita ao
grupo uma análise exata do número de estudantes que participaram.
Ainda assim, com base no número de 3 mil
pessoas, pode-se calcular um valor de investimento médio de R$ 11,00 por pessoa
impactada na plateia. Sendo um ótimo custo-benefício. E com este valor foi
possível a criação de circulação de um espetáculo que embora seja simples,
demandou muita pesquisa e investimento de tempo em sua elaboração, e só foi
possível graças aos recursos do fomento, e ao trabalho para além do orçado, do
Grupo Ueba e sua equipe de criadores.
Abaixo algumas imagens de referência durante as pesquisas:
Abaixo algumas imagens do Processo de Criação:










